por Valéria de Oliveira
“A vida em grupo oferece mais vantagens do que a solitária devido aos seguintes fatores: diluição do indivíduo no grupo, aumento da vigilância, maior sucesso no encontro do alimento, além do fato de que um agrupamento compacto intimida o predador. Os insetos ditos sociais constituem uma casta especializada na defesa da colônia, aprimorando o modo de construção do ninho e da primeira linha de defesa. Tais agrupamentos de insetos são mantidos freqüentemente através da produção de ferormônios de agregação ou pela ausência de dispersão dos imaturos nos primeiros estágios”. Do texto ‘A casa tomada’ de Silvana Garcia – inspirado em Júlio Cortazar.
Parto do princípio que grupo, segundo a área de conhecimento da psicologia, é um conjunto de pessoas que estão atreladas por compartilhar regras, por meio de suas relações uns com os outros e conscientes dessa relação, portanto, se percebem como grupo e buscam a relação entre aceitar e ser aceito. Grupo é um sistema de relações sociais e de interações, recorrentes entre pessoas, que por meio desse sistema, costitui uma identidade, ou seja, de acordo com as relações dialéticas do mundo interno e, com os objetos do mundo exterior se defini o perfil e se caracteriza ou ainda se classificam os grupos.
Grupo não é apenas uma soma de indivíduos que o compõem. É um inteiro, um conjunto, um espaço que contém, é ainda um conceito. Junto a isso, é ainda, um evento uma experiência. A psicologia tem descrito esta duplicidade em dois sentidos, o primeiro como sendo o grupo um lugar concreto, um fenômeno no qual, os indivíduos são o próprio espaço da contenção e coexistem, o segundo o grupo abstrato que é a representação mental, o conceito do fenômeno.
A experiência grupal é, portanto, uma percepção onde se pode agregar o fator emoção, ou seja, ser e estar em grupo, produz uma série de sensações perceptivas e também emotivas, isso constitui o seu registro, sua primitiva representação. Grupo e indivíduos são a totalidade do espaço de contenção, a parte que forma o inteiro, o inteiro que age sobre a parte.
Está dimensão grupal pode se aprender? Pode a multiplicidade ser consciente de si? Sim. Pode-se aprender a entrar na dimensão grupal e nesta dimensão é possível uma aprendizagem do coletivo e, este produz uma consciência múltipla.
Para este processo é necessário aprender que há uma modalidade importante que é a tarefa, um eixo catalisador da aprendizagem do coletivo. Assim, cada coletivo se organiza em torno de uma tarefa, de uma finalidade e de objetivos comuns. Os elementos espaço, tempo, atividades, tarefas e objetivos, constituem o marco que permite dizer que há o ingresso do indivíduo na dimensão grupal. Este marco delimita um campo, em que se produzem eventos que pertencem ao processo.
Nas grupalidades ou coletivos há que se considerar que ambos convivem com a possibilidade da aprendizagem do intercâmbio, do desenvolvimento das potencialidades individuais e do próprio grupo. A vida criativa do conjunto depende das relações constituídas.
Todo grupo, promete ou deseja a possibilidade de intercâmbio e de aprender, desenvolver as potencialidades individuais do próprio conjunto e da instituição a qual pertence. Conforma em si mesmo, a possibilidade de configurar-se como um espaço intermediário, estratégico, onde operam as inscrições sociais, históricas, colocando em evidência as múltiplas representações de uma comunidade determinada.
