
Após quatro rodadas de negociação, em que muito pouco se avançou devido à inflexibilidade dos representantes das escolas privadas, a negociação coletiva foi suspensa na semana passada.
Em mais uma reunião realizada na sede do Sinepe/SC, os dirigentes sindicais decidiram interromper as negociações. O motivo é a intransigência dos empregadores, que, além de não permitirem avanços para os trabalhadores, ainda tentam investir contra os seus direitos já conquistados.
A previsão é que a negociação seja retomada na próxima semana. Antes disso, porém, dirigentes sindicais irão dialogar com as bases para conhecer o posicionamento da categoria, afim de melhor representar os trabalhadores em educação nos embates com as instituições de ensino.
Nesta última reunião, um ato falho deixou evidente a dimensão ideológica que norteia a forma como o Sinepe/SC se posiciona no debate. Mesmo sem que os dirigentes sindicais, em nenhum momento das rodadas de negociação, tivessem utilizado tal argumentação, o presidente do Sinepe/SC soltou a pérola: “não quero mais saber de discussão ideológica nas mesas de negociação. Chega de escutar representantes de sindicatos utilizando Cuba, Bolívia e Venezuela como exemplos. Eu não gosto disso, para mim são três repúblicas vagabundas”, enfatizou.
Mesmo que nenhum destes países tenha sido utilizado como exemplo na argumentação dos representantes dos trabalhadores, fica a pergunta no ar: por que os sindicalistas não poderiam falar de Cuba, Bolívia e Venezuela, enquanto todos os representantes da classe patronal estão tentando “explicar” a atual situação a partir da crise nos Estados Unidos?
Apesar de toda a pressão para aceitar as regras do jogo ditadas pelos proprietários de escolas, o Sinpro Itajaí e Região resiste na defesa dos direitos dos trabalhadores, ao lado do SAAE Itajaí e Região, Sinproeste e SAAE Oeste/Chapecó, Sinpaaet Tubarão e Sinpronorte/Joinville.
Texto e fotos:
André Pinheiro / Jornalista – SC 01159-JP
Assessoria de Comunicação
