Sinpro Itajaí

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Discussões importantes marcam reunião da FETRAESC

15 15UTC Dezembro 15UTC 2009 · Deixe um comentário

Nesta segunda-feira, 14, estiveram mais uma vez reunidos os representantes dos sindicatos que compõem a Federação dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino Privado e Fundações Públicas de Direito Privado e/ou Comunitárias do Estado de Santa Catarina – FETRAESC. O encontro, realizado na sede do Sinpro Itajaí e Região, foi marcado por importantes discussões e definições sobre os novos passos da Federação.

A contratação da assessoria jurídica e a definição da pauta para o processo de negociação coletiva foram os dois pontos centrais da reunião. A coordenadora geral da FETRAESC, Adércia Hostin, ressaltou a força e a importância da união entre o grupo, formado por seis sindicatos. “É necessário manter o espírito coletivo e a unidade do grupo, que se reflete, inclusive, na unificação e no empenho em defender nossas reivindicações durante a negociação coletiva”, pontua Adércia.

No mês de janeiro terão início as reuniões de preparação para o processo negocial, que vão desde a campanha visual até a orientação dos dirigentes para o debate na mesa de negociação.

Texto e fotos: André Pinheiro
Assessoria de Comunicação – Sinpro Itajaí e Região
Para ver mais fotos clique aqui.

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Horário de verão

11 11UTC Dezembro 11UTC 2009 · Deixe um comentário


A partir da próxima segunda-feira, dia 14 de dezembro, a sede do Sindicato, em Itajaí, irá funcionar em horário de verão, das 8 às 12 horas e das 13h30 às 17h30. O Sindicato retornará ao horário normal de atendimento no dia 18 de fevereiro de 2010.

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Atenção: Bolsas de Estudo 2010

11 11UTC Dezembro 11UTC 2009 · Deixe um comentário

Os professores interessados em obter bolsas de estudo para 2010 deverão retirar ou preencher o Requerimento de Bolsa, que estará disponível no Sindicato, até o dia 20 de dezembro. Outra alternativa é conversar com o representante sindical do seu estabelecimento de ensino.

Lembramos que deverá ser adicionada ao Requerimento a fotocópia da Certidão de Nascimento ou da Carteira de Identidade do seu dependente.

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Mais um direito do trabalhador: Bolsa de Estudos deve,sim, ser regulamentada pelo Sindicato

4 04UTC Dezembro 04UTC 2009 · Deixe um comentário

Sinpro Itajaí e Região faz prevalecer o que está determinado pela Convenção Coletiva de Trabalho.


Os critérios para a concessão de bolsas de estudos para os professores em 2010 estão sendo reavaliados. De acordo com a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), cabe ao Sinpro a distribuição das bolsas.

Em contato com as escolas, dirigentes do Sinpro Itajaí e Região observaram que a falta de clareza impedia a aplicação correta do que foi assinado entre a classe patronal e os representantes dos trabalhadores na Convenção Coletiva. A interpretação equivocada da Cláusula Décima Quarta da CCT não permitia que este direito dos professores fosse cumprido corretamente.

A principal motivação do Sinpro em requerer a administração das bolsas de estudos foi a constatação de que estavam ocorrendo distorções nesta distribuição, quando esta era realizada pelas instituições de ensino. O Sindicato pretende corrigir estas distorções e garantir a concessão das bolsas a partir de critérios mais justos e que promovam a igualdade entre os profissionais da Educação.

Por meio de edital e ofícios, o Sindicato entrou em contato com as escolas e conseguiu as informações para que pudesse regulamentar a concessão das bolsas de estudos. O professor interessado em receber bolsa de estudo deverá comparecer à sede do Sinpro Itajaí e Região e preencher o requerimento.

A partir da movimentação do Sindicato, algumas escolas começaram a pressionar, com a intenção de amedrontar seus professores, para que estes não preencham o requerimento do Sinpro. Esta conduta, além de inadequada sob o ponto de vista ético, vai contra a Convenção Coletiva de Trabalho que os próprios representantes dos estabelecimentos de ensino (Sinepe/SC) assinaram, firmando o acordo com os sindicatos. Esta situação legitima ainda mais a ação do Sindicato dos Professores, já que a classe patronal tem consciência de que a determinação da CCT é clara e nosso posicionamento é correto.

Os professores devem entender que as bolsas de estudos não são benesses das escolas, mas uma conquista do Sindicato.

Nosso objetivo é proteger os direitos da nossa categoria. Portanto, o Sinpro Itajaí e Região irá administra a distribuição das bolsas de estudos para 2010 aos professores filiados.

Professor, filie-se. Participe da luta. Torne o seu sindicato mais forte!

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Bolsas de Estudo: Cláusula Décima-quarta da Convenção Coletiva de Trabalho

4 04UTC Dezembro 04UTC 2009 · Deixe um comentário

CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO

DA BOLSA DE ESTUDO

Cláusula Décima-quarta

Os estabelecimentos de ensino concederão bolsas de estudos, totais ou parciais, ao titular e/ou filhos deste, que estejam legalmente sob o regime de dependência, matriculados no estabelecimento de ensino, que nele exerçam o magistério, no mínimo de 25% (vinte cinco por cento) do total dos componentes do respectivo corpo docente, proporcional a cada curso e grau de ensino.

§ 1º – Os critérios e a distribuição de bolsas serão estabelecidos pelo Sindicato Profissional.

§ 2º – O estabelecimento de ensino fornecerá ao Sindicato Profissional, no início de cada período letivo, de acordo com o regime escolar, a quantidade de bolsas previstas nesta cláusula.

§ 3º – O professor deverá requerer individualmente ao seu Sindicato de Classe o benefício de que trata a presente cláusula.

§ 4º – Sem prejuízo do previsto no caput desta cláusula, fica convencionado que as escolas poderão estabelecer Acordo Coletivo com o Sindicato Profissional da categoria, visando a oferta de “descontos especiais” para vagas ociosas, quando houver, em qualquer nível de ensino.

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Edital de Regulamentação da Concessão de Bolsas de Estudos Nº 01/2009

4 04UTC Dezembro 04UTC 2009 · Deixe um comentário

Edital de Regulamentação da Concessão de Bolsas de Estudos Nº 01/2009


Em cumprimento ao que determina a Cláusula Décima-quarta e seus parágrafos da Convenção Coletiva de Trabalho – C.C.T, o Sindicato dos Professores de Itajaí e Região, pelo presente Edital, comunica a todos os professores dos estabelecimentos privados de ensino, sediados nos municípios de Itajaí, Porto Belo, Itapema, Balneário Camboriú, Camboriú, Brusque, Guabiruba, Botuverá, Ilhota, Luis Alves, Navegantes, Penha, Balneário Piçarras e Bombinhas, que fará uso de seus direitos nas atribuições que lhe são conferidas pela C.C.T., dispõe de critérios e procedimentos para regulamentar pedidos de bolsa de estudos de associados, de acordo com a Convenção Coletiva de Trabalho vigente.

Art. 1º – A Presidente do Sindicato dos Professores de Itajaí e Região  Sinpro/Itajaí, no uso de suas atribuições estatutárias e, conforme deliberação em reunião de Diretoria , torna público aos associados deste Sindicato, critérios que deverão ser seguidos a partir desta data para solicitação de bolsas de estudo.

Art. 2º – Poderão solicitar bolsas de estudo os professores que exercem a docência em todos os níveis de ensino, filiados ao SINPRO/Itajaí.

Art. 3º – Dos requisitos para a concessão:

São requisitos essenciais para a concessão do benefício da bolsa de estudo:

I-          ser filiado ao SINPRO há, no mínimo 3 (três) meses, ou ser dependente de titular filiado;

II-         o professor filiado que mudar de Instituição de Ensino e continuar filiado, fica desobrigado do cumprimento do prazo de 3 (três) meses;

III-        quando da solicitação do benefício, deverá estar o filiado trabalhando para o seu empregador, por no mínimo 6 (seis) meses;

IV-       não estar o filiado afastado da Instituição onde trabalha por razão de licença sem remuneração;

V-        não ser, o beneficiário, portador de diploma de cursos em nível superior, cursados na Instituição de ensino em que o filiado é empregado e nele usufruindo integralmente do benefício deste Sindicato;

VI-       o bolsista que receber o benefício de outras Instituições não poderá receber a bolsa concedida pela Instituição de ensino, fazendo a opção entre a bolsa solicitada e o outro benefício financeiro.

Art. 4º – Dos Dependentes:

Para efeito deste Edital são considerados dependentes:

I  – os filhos do titular;

II – o cônjuge.

Art. 5º – da documentação

Ao efetuar o pedido de bolsa o associado deverá anexar os seguintes documentos:

a)         Requerimento preenchido e assinado pelo associado e encaminhado à Presidência do Sinpro/Itajaí e Região;

b)         Cópia de comprovante de dependência, comprovante de matrícula, atestado de frequência.

Parágrafo primeiro  O dependente que trabalha para o mesmo empregador do respectivo filiado solicitante não poderá receber o benefício.

Parágrafo segundo Não terá direito ao benefício o filho dependente casado ou emancipado.

Das Disposições Finais

Art. 6º – O SINPRO se reserva o direito de aplicar as condições estabelecidas no regulamento, modificá-las ou revogá-las a qualquer momento, quando julgar conveniente.

Art. 7º – Os critérios de seleção aqui definidos são integralmente obrigatórios para a concessão de bolsas de estudo e nenhuma interferência será admitida no processo, que se guiará pelos mais estritos ditames de justiça e impessoalidade.

Art. 8º – Todos os critérios estabelecidos no presente regulamento obedecem à decisão da diretoria do Sinpro Itajaí e Região e serão válidos a partir desta data.

Itajaí(SC), 03 de novembro de 2009.

Adércia Bezerra Hostin

Presidente

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Recesso de final de ano

2 02UTC Dezembro 02UTC 2009 · Deixe um comentário

O Sindicato dos Professores de Itajaí e Região já definiu o calendário para o final de 2009. O recesso terá início no dia 24 de dezembro. As atividades normais do Sindicato serão retomadas no dia 04 de janeiro, com a presença de todos os funcionários e dirigentes.

Para contatos em casos de urgência, estará disponível o telefone (47) 9219-7994.

 

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Quinta-feira, dia 26: Assembleia Geral Extraordinária

19 19UTC Novembro 19UTC 2009 · Deixe um comentário

O Sinpro Itajaí e Região está convocando toda a categoria para a Assembleia Geral Extraordinária, no dia 26 de novembro, quinta-feira. A Assembléia será realizada na sede do Sindicato, com primeira chamada de presença às 17h10 e segunda chamada às 17h30.

Na pauta da Assembleia estão os seguintes pontos:

1)      Discussão e aprovação da pauta de reivindicação que será encaminhada à entidade patronal, visando o estabelecimento das cláusulas econômicas e sociais relativas à data base do período de março de 2010 a fevereiro de 2011;

2)      Autorização à Diretoria e Comissão de Negociação para proceder as referidas negociações com a entidade patronal;

3)      Autorização à Diretoria para ajuizar a ação de dissídio coletivo na Justiça do Trabalho, caso não logre êxito nas negociações;

4)      Autorização do desconto da Contribuição Assistencial;

5)      Outros Assuntos de interesse da categoria.

 

A presença de todos os educadores é imprescindível para a organização da nossa categoria.

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Dia Nacional da Consciência Negra: Entrevista com Maria Conceição Pereira

19 19UTC Novembro 19UTC 2009 · Deixe um comentário

Entrevista: Maria Conceição Pereira


“Para eliminar o preconceito, é preciso construir um novo saber. Então, é primordial a formação de professores, a formação de uma nova sociedade”, afirma a militante do movimento negro Maria Conceição Pereira. Integrante do Instituto Isabel Costa de Inclusão Social, a professora aposentada foi também titular da Coordenadoria da Promoção da Igualdade Racial de Itajaí, criada em 2005, durante o Governo Popular.

Nesta entrevista, que tem como tema principal a Consciência Negra, Conceição define: “Ser negro é questão de atitude, saber que é de uma raça sofrida, você conhecer a história e defender a história, e, para isso, assumir de coração, assumir, de alma, toda essa história”.


O que podemos entender por consciência negra?

É realmente a questão da consciência, do entendimento. Eu acho que é conscientizar a população sobre a questão racial. Então é formar esta consciência, construir este novo conhecimento para o cidadão, de modo geral, não só para os negros. Isso, para mim, é ter consciência negra.

A consciência negra, então, não diz respeito somente aos afrodescendentes, mas a toda a sociedade…

A toda a sociedade. O maior erro é achar que esta é uma questão só da população negra no Brasil. E, no entanto, é uma construção de um todo, de uma sociedade em geral. Porque o que acontece com a sociedade, muitas vezes, é não ter a consciência da questão racial como deveria ter. E esse entendimento deveria ser de todo o grande grupo, de toda a sociedade, realmente, de toda a raça. Porque algumas pessoas que são contra os movimentos negros dizem: “ah, existe a separação de raças”. Raça negra foi o rótulo que a sociedade criou. E rótulo vende. E vende muito bem. Então, para melhorar realmente a questão racial no Brasil falta essa consciência, porque muitos se negam a aprender. Há a negação, o não querer saber, o não querer conhecer. Aí surgem o racismo e os preconceitos.

O Brasil ainda pode ser considerado um país racista e preconceituoso? E em que nível?

Ainda. E num nível bastante grande. Até porque o maior mal do Brasil é o racismo sutil. Essa sutileza de dizer que não existe. Isso confunde. Confunde quando você mostra por números, por desigualdades, o analfabetismo, a falta de trabalho. As pessoas sempre procuram puxar para si: “não, não sou preconceituoso, não sou racista”. Mas eu costumo dizer, em relação a todo aquele que “não é preconceituoso”: a empregada tem um quartinho nos fundos, e o cachorrinho fica dentro de casa, tem um lugar na cama. Então, aí você começa a comparar, começa a ver as diferenças que existem, o quanto é forte o preconceito. Então, o que eu posso dizer, assim, no Brasil, é que nós estamos avançando, sim. Desde as lutas dos anos 70, do Movimento Negro, avançamos a cada dia. Isso não dá para negar. Eu não diria tanto no Estado de Santa Catarina, mas no Brasil no seu todo, e até mesmo no município, como alguns outros municípios do Estado, que vêm tendo essa manifestação, fazendo esse trabalho.

O que é ter consciência negra? É construir novos conceitos. Recentemente, o professor e historiador José Roberto Severino, em uma atividade com educadores, mostrou uma foto do século XIX. Então, Itajaí não tinha porto, tinha apenas o rio, que vinha do Alto Vale e desembocava no mar. Itajaí foi um porto construído pela mão do homem. E muito desse trabalho foi feito pela mão escrava. E por que esta invisibilidade? Porque normalmente só fica muito evidente, muito forte, a questão da cultura açoriana. E por que não a mão do homem negro? Nesse trabalho de pedra, das igrejas, de construção, do escravo Simeão, que construiu a primeira igreja, o engenheiro foi lá, fez a planta, mas o homem que carregou a pedra, que fez acontecer, era uma mão escrava. Assim como a pesca da baleia neste litoral. E por que não aparecem, por que não são visíveis?

Você tinha falado em alguns avanços conquistados pela nossa população negra. Quais seriam, pontualmente, estes avanços do movimento negro?

Penso que um dos grandes avanços está na questão das cotas nas universidades. Tanto que já está baixando a poeira, no que diz respeito às revoltas contra as cotas. E em alguns estados maiores, existem também as cotas nos serviços públicos, que reflete na geração de empregos. Isso ainda não chegou aqui, mas vamos caminhar para que também aconteça.

Em algumas páginas e blogs de extrema direita na Internet, existe um argumento muito contundente contra a questão das cotas: é o de que existe uma conspiração para racializar o Brasil e institucionalizar o preconceito. E isso, segundo eles, viria por parte dos próprios movimentos negros. O que você pensa sobre isso?

Esta alegação foi uma das maneiras com que eles tentaram acabar com as cotas. Porque o grande mal da humanidade e, diria assim, de alguns brancos da nossa sociedade, é a questão da igualdade: “Nós não somos racistas, mas se estivermos aqui e o negro lá”.

As cotas nas universidades, os cursinhos gratuitos que estão se criando, isso tudo… Você vê que a questão das cotas foi difícil, e ainda é um processo difícil do próprio negro aceitar. E qual foi o trabalho que estes brancos, estes “não-racistas”, como dizem eles, fizeram? Foi dizer que adotar o sistema de cotas era inferiorizar. E a gente sabe que não era inferiorizar. Porque existem pesquisas, como a do Marcelo Paixão, a do Frei Davi, e vários outros, que provam que o aluno cotista se sai muito melhor em médias, na UnB (Brasília), na Federal de Salvador, na Federal do Rio de Janeiro. Em notas, os cotistas superam os não-cotistas.

Inclusive, este mesmo grupinho de extrema direita costuma dizer que as pesquisas são encomendadas…

Exato. E o que é que eles tentaram fazer com a sociedade negra que estava se utilizando das cotas? Dizer que cota menospreza, inferioriza e cria próprio racismo. Então, entre a nossa juventude, em que falta esse trabalho de auto-estima, falta essa questão de consciência, muitos se deixaram abalar. Os que não se deixam abalar, vão, entram e provam que podem.

Porque para não existir esse processo de cota, o ideal seria que tivéssemos ensino público com as mesmas condições, e isso está muito distante. Então, se nós formos esperar por isso, não caminharemos, não avançaremos. Não haverá avanços. E o interesse da extrema direita, realmente, é que esses espaços não sejam ocupados.

É demarcar o território que é deles… a universidade, o centro da cidade…

É deles. Exato, é deles. “Então, nós não seremos racistas se o negro continuar no gueto”.

Um outro argumento muito utilizado é o de que o próprio negro é racista, sobretudo consigo mesmo. O que você pensa sobre esta afirmação, de que o preconceito vem do próprio negro?

É. Dia desses eu ainda comprei uma briga. Porque me dói, me choca quando as pessoas vêm com este argumento. Não vou dizer que isso não acontece. Por que o que é que falta para o negro, quando ele se coloca nesta posição? Auto-estima. Se ele não tem referencial, se vem de uma família com grandes dificuldades, realmente falta.

O que acontece com a criança negra? A criança negra começa na escola, ela nunca é escolhida para dizer uma poesia, para participar de uma festinha… Sabe, em casa, normalmente tem uma separação, tem uma briga. Ela não constrói uma auto-estima. E se ela não constrói uma auto-estima, o que acontece com ela? Quando ela consegue subir o mínimo degrau que seja, ela se protege. Então, “ah, todo jogador de futebol negro fica rico e casa com uma branca”. Ele quer deixar o passado dele para trás. Porque faltou consciência. Faltou educação e faltou consciência. Às vezes teve até educação, porque você pega vários negros aí, formados no Ensino Médio, no Ensino Superior, que não têm a consciência da luta. Então, o que ele faz? Ele esquece que é negro e, se possível, casa com uma branca e vai clareando a família.

Quando o negro tem mais de uma referência, normalmente fica com aquela que não é negra…

É sempre a clara. Sempre a que não é negra.

E existe toda a questão do referencial convencionado pela sociedade, de que o branco é bom e superior…

Claro. É bom, é bonito… E quando você se aproxima do branco, você deixa as referências um pouco de lado, porque a história do branco é sempre uma história mais bonita…

E, para você, o que ainda deve ser vencido na sociedade? Quais as grandes dificuldades para o povo negro, de maneira geral?

Uma das maiores dificuldades, realmente, é essa falta de consciência. E é preciso eliminar esse pensamento, que ficou muito forte no Brasil, essa questão de que o Brasil é democrático racialmente.

A “democracia racial”, isso não existe. O Censo, agora, vem apontando como negra mais de 51% de uma população assumida. Então, isso é metade de um país que teve mão-de-obra escrava, que construiu as riquezas de um país… Foram as rodovias, foi o café, foi a cana-de-açúcar, enfim… E, depois, fazem a comparação, “ah, mas os italianos…”. Eles vieram para cá com terra, com família, trazendo até o padre. Eles chegavam e em qualquer lugar já formavam uma comunidade. Não foi o caso do negro, que foi arrancado à força…

O negro não veio, trazido…

Separados de familiares, de pai, mãe… um ficou no norte, outro ficou no sul… É uma história muito triste para em muito poucos anos se reverter. Quantos morreram nessa travessia? Quantos morreram?… E quando a mão-de-obra deles não foi mais necessária, foram jogados ao relento. Tem até uma letra de samba-enredo que diz: “Livre do açoite da senzala, preso na miséria da favela…”…  E em pouco mais de cento e vinte anos, só… muitos vão continuar lá… e o Brasil defende uma “democracia racial”. Onde é que está essa democracia? Então este é um grande mito a ser derrubado, vencido, transposto. E isso só vai acontece quando tivermos consciência.

Hoje, através das Leis, iniciando estas discussões na escola, nos trabalhos com as crianças, podemos construindo um novo saber. Então, é papel primordial a formação de professores, a formação da sociedade. Nós não pensamos em construir novos guetos. E, sim, construir novos pensamentos com toda uma sociedade. Haver mais respeito, haver mais amor, haver mais igualdade. Esse eu penso que é o caminho a ser percorrido. Estamos caminhando. Estamos, sim. Porque, antigamente, a pessoa que falasse uma coisa dessas seria presa. E hoje a gente está aí, vencendo barreiras. E temos muitas a serem vencidas.

O trabalho de construir, você sabe que é difícil. E essa é a função dos movimentos negros. É construir, a cada dia, novos conceitos. Porque na construção dos novos conceitos nós derrubamos preconceitos. E isso tudo vem através da educação, da saúde, das políticas que são, sim, necessárias para que, realmente, num futuro, sabe-se lá quando, possamos dizer que nós somos uma sociedade mais igualitária.

 

Entrevista por: André Pinheiro – Jornalista – SC 01159/JP.

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Redução da Jornada de Trabalho Sem Redução de Salário e Sem Aumento de Serviço

19 19UTC Novembro 19UTC 2009 · Deixe um comentário

Nota Técnica do DIESAT – Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho

 

O DIESAT – Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho, fundado em 1980 como um órgão de assessoria técnico-científica ao movimento sindical nas questões relativas à Saúde dos Trabalhadores e Trabalhadoras, apresenta sua contribuição na campanha conjunta das seis centrais sindicais brasileiras pela redução da jornada de trabalho sem redução de salário.

A campanha e a mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras defendem a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional – PEC 231/95 – que propõe a diminuição da jornada das atuais 44 horas para 40 horas semanais e o aumento da remuneração da hora extra (de 50% para 75% acima da hora normal).

A Nota Técnica que segue abaixo, fruto da contribuição de um dos membros do Conselho Científico do DIESAT, tem como objetivo analisar esta questão de amplo interesse dos trabalhadores e que mantém relação direta com as condições de trabalho, o ritmo e a intensidade do trabalho e seus impactos sobre a saúde dos trabalhadores.

Outubro/2009.

Redução da Jornada de Trabalho Sem Redução de Salário e Sem Aumento de Serviço

Por Leda Leal Ferreira

 

* Médica, pesquisadora da Fundacentro, Membro do Conselho Científico do DIESAT.

A redução da jornada de trabalho foi e continua sendo uma das maiores reivindicações do movimento sindical de todo o mundo. Através de muitas lutas se alcançou a diminuição de jornadas de 10, 12 e até 14 horas para as atuais 8 horas diárias.

Dados do Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas – IPEA mostram que, no Brasil, o número médio de horas trabalhadas pelas pessoas que declararam estar ocupada baixou de 45,1 em 1981 para 39,4 horas em 2007. Apesar desta redução, ainda há milhões de pessoas que trabalham acima do limite constitucional de 44 horas semanais. O IBGE, em 2007, estimava que quase 18 milhões de brasileiros trabalhassem 49 ou mais horas semanais (no total da população ocupada de quase 91 milhões de pessoas). Entre os mais de 52 milhões de empregados, cerca de 7,5 milhões trabalhavam 49 horas ou mais por semana.

Teoricamente, uma redução da jornada de trabalho deveria resultar numa diminuição da produção. Para isto não ocorrer, as empresas deveriam contratar mais trabalhadores (é o que o movimento sindical reivindica) ou então investir em tecnologias que permitissem que se produzisse maior quantidade de produtos em menos tempo e com a mesma quantidade de trabalho.

Mas a história mostra que quando há uma redução legal da jornada de trabalho resultante da luta dos trabalhadores, as empresas (que foram contrárias e resistiram a esta diminuição) tentam compensar as perdas de produção (e de mais valia) decorrentes desta diminuição da jornada aumentando o trabalho de quem já trabalha, que passa a trabalhar mais.

O que aconteceu em algumas empresas após a Constituição brasileira de 1988 diminuir de 8 para 6 horas diárias a duração do trabalho em regime de turnos ininterruptos de revezamento é um bom exemplo: ao invés de contratarem mais trabalhadores para compor uma outra turma (uma quinta turma ou quinto turno), algumas empresas apenas redistribuíram o total de trabalhadores em turnos por mais uma turma.

Assim, por exemplo, uma fábrica onde havia 40 trabalhadores trabalhando em quatro turnos de 8 horas, ou seja, 10 trabalhadores por turno passou a ter os mesmos 40 trabalhadores em 5 turnos de 6 horas, ou seja, 8 trabalhadores por turno. Para cada um destes trabalhadores aumentou a quantidade de serviço, embora tenha diminuído a duração do trabalho. Houve uma diminuição da jornada e um aumento na intensidade do trabalho. Com este expediente, muito dos benefícios propugnados pela diminuição da jornada foram anulados. De fato, o espírito do constituinte ao diminuir a jornada de 8 para 6 horas diárias era o de compensar os efeitos negativos que o trabalho em turnos ininterruptos de revezamento provoca: uma desordem temporal no organismo, que é obrigado a trocar frequentemente de horários de trabalho (e de repouso), trabalhando ora de dia ora de noite. Esta desordem temporal pode causar problemas de várias ordens, a começar por distúrbios de sono e de vigília passando por dificuldades na vida social e familiar.

Assim, para compensar esses efeitos negativos o constituinte propugnou uma diminuição da jornada. Mas este papel compensador só seria efetivo se não causasse um aumento da quantidade de trabalho.

Para que a diminuição da jornada de trabalho crie mais empregos e aumente o tempo que os trabalhadores têm para seu lazer é preciso que, além de não reduzir salários, ela não seja seguida de um aumento de serviço ou, em outras palavras, de um aumento na intensidade do trabalho ou, o que é o mesmo, de uma intensificação do trabalho. Por isso, os trabalhadores devem estar atentos à intensidade do trabalho e a algo que muitas vezes aparece como sinônimo de intensidade (embora não o seja): a produtividade do trabalho.

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