
Na tarde desta quarta, dia 23, o Sinpro Itajaí e Região abriu a discussão sobre um assunto que interessa a todos os trabalhadores da Educação: o plano de carreira. A atividade foi conduzida pela professora Aparecida Fátima Tiradentes dos Santos. Doutora em Educação, Aparecida é pesquisadora e profissional na Fundação Oswaldo Cruz (RJ) e também assessora para Assuntos Educacionais no Sindicato de Professores do Rio de Janeiro e Região (Sinpro-Rio).
A convidada demonstrou toda a experiência de anos de pesquisa ao falar sobre o plano de carreira de forma contextualizada e abrangente, relacionando o assunto a outras questões referentes à Educação. Aparecida transmitiu uma série de informações importantes ao público, formado por dirigentes do Sindicato e professores do Instituto Fayal de Educação Superior (IFES).
“Quem está fazendo os encaminhamentos quanto à Educação no país?”, questionou a professora, ressaltando que muitas determinações sobre os rumos tomados pelo setor estão acima do poder de decisão das próprias mantenedoras. Neste sentido, uma das questões que mais preocupam é a internacionalização ou desnacionalização da Educação no Brasil. Aparecida definiu como “colocar a raposa para tomar conta dos franguinhos” o movimento empreendido pela Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior para a criação da Agência Nacional de Acreditação.
Embora a existência da educação privada esteja prevista na Constituição Brasileira, não se pode esquecer a necessidade de respeito aos marcos regulatórios do Estado. A pesquisadora lembrou que a educação é um direito humano e não deve ser tratada como mercadoria. “Temos em nossas mãos o dever da formação de consciências e não apenas de competências técnicas. Somos responsáveis pela formação não só científica, mas também ética e política de jovens e adultos que estão assumindo a história do país nas mãos”, pondera.

Uma informação importante destacada por Aparecida é que hoje 89% das instituições de ensino superior são privadas. E como se não bastasse isso, o processo de mercantilização existe também nas instituições públicas. “Hoje temos uma concepção de Educação escancaradamente mercantil”, avalia.
Frente a este quadro, a professora é categórica ao afirmar que o mercado não deve ser o único regulador para a Educação. “O critério não pode ser apenas a produtividade, mas a humanização e tudo o que pode transformar a sociedade”, propõe. E questiona: “o mercado é o sujeito histórico mais adequado para definir como deve ser a formação humana? Isso é o que está em jogo”.
Aparecida denuncia um duplo ataque aos professores, que sofrem enquanto trabalhadores e enquanto formadores. E observa que não são apenas os salários ou as progressões que estão em jogo, mas a própria autonomia dos educadores.
“Exercemos esta profissão porque acreditamos nela. Nossa matéria-prima de trabalho é a esperança. Não digo isso no sentido piegas: quem vai para a sala de aula está à procura de um futuro”, reflete. Ao discorrer sobre outras questões, como as políticas de redução do custo docente por parte das instituições, a professora chamou a atenção: “a luta é bem maior do que o plano de carreira”.
Além do debate, com perguntas e intervenções dos professores, houve ainda uma discussão detalhada do plano de carreira do IFES, com anotações dos pontos que receberam questionamentos.
A presidente do Sinpro Itajaí e Região, Adércia Hostin, parabenizou a convidada pela qualidade da explanação e elogiou a presença dos participantes. “Sem a participação dos professores, que são os principais interessados, o debate sobre o plano de carreira ficaria esvaziado”, conclui.
O plano de carreira continuará a ser discutido com os professores do IFES em um novo encontro, que já está agendado para o dia 7 de outubro, quarta-feira.